Crítica: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

23 de Julho de 2012

O filme Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012) é, sem sombra de dúvida, o filme mais esperado do ano, e não só pelos fãs de quadrinhos. Todo o hype gerado pelo capítulo anterior, Batman - O Cavaleiro das Trevas, de 2008, criou uma expectativa absurda sobre o filme, criando conjecturas e boatos como nunca antes foi visto. E isso só tinha como acabar de uma única maneira: prejudicando o próprio filme.


Mas não me entendam mal: a terceira parte da saga do Homem-Morcego comandada pelo diretor Christopher Nolan irá, com toda a certeza do mundo, ser um sucesso comercial estrondoso. Mas até aí ganhar rios de dinheiro não é sinônimo de qualidade, ainda mais se tratando de um filme de Hollywood.


Sim, porque apesar de todo o endeusamento em torno do diretor Christopher Nolan, falando que a sua saga do Batman está em um patamar diferente de outros filmes que adaptam personagens de quadrinhos para o cinema, não é verdade. Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filme tão "pipoca" quanto Os Vingadores, e nunca deveria ter sido elevado a mais do que isso.


As qualidades do longa são muitas? Sim, são. Na enorme maioria técnicas. É um filme muito bonito, com um visual atraente. Algumas das cenas-chave do longa foram bem construídas, e as sequências de luta, que eram deficientes e confusas nos filmes anteriores, sofreram melhoras gritantes. Há momentos de empolgação no filme, ainda mais quando estão se valendo de tomadas no formato IMax (assistir ao filme em cinemas com esse padrão é praticamente indispensável para ter toda a experiência que o longa quer passar), mas alguns elementos impressionantemente errados do roteiro acabaram minando o filme, que vinha sendo associado ao termo "épico" desde os primeiros momentos de divulgação.


O roteiro é básico demais. O que não é por si só um problema, como outros longas mostram, mas acabou se tornando um porque o próprio roteiro tenta ser algo mais do que é, ao ser recheado de "reviravoltas" que qualquer pessoa já adivinhou na primeira meia hora de filme. A incongruência entre a atitude de Bruce Wayne (Christian Bale) no início deste filme com o que foi falado na primeira parte desta trilogia é absurda, para não falar de uma determinada ação do mordomo Alfred (Michael Caine), que simplesmente não condiz com o personagem. Em um certo momento até acaba acontecendo a clichê cena em que o vilão explica seu plano maquiavélico nos mínimos detalhes para o herói. Me senti como se estivesse vendo um episódio do seriado do Batman nos anos 1960. Os problemas são muitos, e em número impressionante, mas não posso me aprofundar neles sem entregar pontos importantes da história.


Por ser um capítulo de encerramento, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge tem um número muito grande de personagens novos. Os de maior destaque na mídia foram Anne Hathaway como Selina Kyle (sim, apenas Selina Kyle. O nome "Mulher-Gato" não é dito em momento algum no longa) e Tom Hardy como o vilão Bane.


A personalidade de Selina foi bem adaptada para as telas. Muito mais embasada nos quadrinhos do que a encarnação cinematográfica anterior, vista no filme Batman - O Retorno, quando foi interpretada por Michelle Pfeiffer. É tão diferente que definitivamente não cabe uma comparação entre a atuação das atrizes aqui. A Selina Kyle de Anne Hathaway acabou sendo na verdade a primeira adaptação da Mulher-Gato moderna nos cinemas. Apesar de aparecer muito pouco no longa, a personagem tem um papel importante na história. É uma pena que esta é a parte final desse universo cinematográfico do Batman, Selina com certeza poderia fazer parte de muitas histórias ainda.


Quanto ao tão falado Bane de Tom Hardy... o personagem está praticamente igual à sua contraparte dos quadrinhos: completamente raso e sem motivação. Bane andava sendo enaltecido pelos produtores e atores do longa, mas não passou de um mero desafio físico para o Batman. Concordo que os vilões da galeria do Cavaleiro das Trevas não tem potencial para poder ser um desafio real em uma luta corpo a corpo com o Batman, mas se a ideia era apenas essa, não era necessário colocar um vilão de segundo escalão para ser nada mais do que uma parede de tijolos móvel. O roteiro até tenta transformar Bane em mais do que isso, mostrando uma certa crueldade do vilão, mas simplesmente não consegue. Mas cometi um erro nesse parágrafo: Bane até tem uma motivação para realizar seu plano, só que essa motivação é simplesmente patética.


Ainda em relação a Bane, um dos únicos defeitos técnicos desse filme foi a voz do personagem. Duramente criticada quando as primeiras cenas com o vilão foram divulgadas porque simplesmente não era possível entender o que Bane estava falando, o áudio da voz do personagem aparentemente foi tratado por engenheiros de som, para que ficasse mais alta e mais clara do que estava originalmente quando Tom Hardy teve que falar com a máscara de Bane. Mas o resultado que se pode escutar no cinema foi absolutamente terrível. A voz de Bane não ficou abafada e era possível entender o que ele falava, sim. Só que isso causou um efeito estranho no áudio, com a voz de Bane ficando mais alta do que todos os elementos que estavam na cena, fazendo parecer que o personagem foi dublado e o áudio foi inserido na trilha, mas com maior intensidade do que deveria.


Outros personagens estreantes importantes para a trama são Miranda Tate (Marion Cotillard) e John Blake (Joseph Gordon-Levitt). Miranda, uma executiva que investiu bastante dinheiro em um projeto de energia limpa encabeçado pelas Empresas Wayne, também aparece muito pouco, mas está lá por uma razão. Assim como John Blake, que assume um papel importante a partir da metade do filme.


O elenco antigo está satisfatório. O comissário Gordon (Gary Oldman) e o executivo das empresas Wayne Lucius Fox (Morgan Freeman) têm seus momentos, ao contrário de Alfred, que, como falei anteriormente, participa de uma cena em que sua personalidade é completamente alterada e depois praticamente não tem relevância. E mesmo com tantos minutos de filme (165, para ser mais exato), o longa não precisava desperdiçar tempo com um personagem tão sem propósito quanto o policial Foley (Matthew Modine), que não fez diferença alguma para o longa.


Nolan acabou por fazer o que ele mesmo já havia enaltecido em O Grande Truque: a teatralidade de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge acaba enganando o espectador, como em um truque de mágica. O visual e o conjunto de cenas empolgantes (e não nego que elas existem) serviram como efeitos de fumaça e espelhos para o roteiro lotado de buracos e reviravoltas pífias, tentando arrancar lágrimas com um final mais do que previsível.


Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge acabou sendo um filme que me lembrou uma clássica cena do filme de 1966 do Batman, originado pelo seriado estrelado por Adam West. Não vou colocar o vídeo incorporado aqui na crítica para não acabar dando um spoiler, mas para quem estiver curioso demais, ou já assistiu ao filme, clique aqui para ver. Vejam também abaixo um dos trailers do filme e os pôsteres na galeria de imagens abaixo.




6 comentários:

wagner.

Eu achei muto massa o filme, o Alfred tem mais relevancia na trama embora apareça pouco no filme; o Bane parece ter mais motivações do que no gibi(fala sério querer quebrar o batman só porque achou que ele era o morcego que o atormentava nos sonhos)e a crueldade e estratégias dele funcionam bem, um exemplo é a cena inicial do avião, que é a entrada do personagem no filme bem como aconteceu com o coringa em the dark knight. Na minha opinião é um filme um pouco mais cabeça que vingadores, que também é um filme muito massa só que é mais centrado na ação e não tem muitas reviravoltas e também aproveita a fórmula consagrada dos filmes de ação.


04 de Março de 2013

nayara

olha que eu nao era tao fa do batman mas quando eu assistir esse utimo no cinema me apaixonei e eu quero ver mais e mais espero que esse nao seja o fim dele


03 de Agosto de 2012

Anderson Neres

Existe um provérbio que diz algo assim:"Toda unanimade é burra",respeito a critica acima do Rodrigo mas no caso do útltimo batman tenho que admitir se trata do melhor filme do ano de 2012 até agora e dificilmente será batido,talvez não seja o melhor da trilogia,mas não se trata de um filme Pipoca e muito menos por ser de um diretor endeusado e sim porque o cara é muito competente e de um curriculo de grandes filmes entre eles Amnesia,A origem e a propria trilogia batman,podemos notar que cada filme lançando cresce a expectativa e a exigência.


31 de Julho de 2012

Clóvis

É primeira crítica que leio sobre o filme que realmente é específica, mesmo não revelando spoilers sobre a obra. Pena que só vou ver o filme daqui um tempo pra poder comentar melhor sobre.


26 de Julho de 2012

Rodrigo Barcalla

Putz, verdade! Valeu Eder, vou arrumar no texto!


24 de Julho de 2012

Eder

Só um detalhe amigo Rodrigo,a clássica cena do antigo seriado de TV do personagem que você se lembrou, na verdade não pertence ao seriado, mas sim ao longa metragem derivado de 1966. Abs.


23 de Julho de 2012



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