Os Novos 52: Universo DC n°1

03 de Julho de 2012

Continuando a série de reviews das revistas publicadas pela Panini Comics mostrando o reinício do Universo DC na forma de Os Novos 52 (estão no ar reviews de Liga da Justiça, Batman, Lanterna Verde e Superman), agora é a vez de Universo DC n°1, que publica as revistas Aquaman, O Selvagem Gavião Negro, OMAC, A Fúria de Nuclear, Senhor Incrível, Falcões Negros e Mulher-Maravilha. A primeira edição tem 156 páginas e custa R$16,90.


Aquaman (Aquaman #1)


Equipe: Geoff Johns (roteiro), Ivan Reis (Desenhos), Joe Prado (arte-final), Rod Reis (cores).


Sinopse: O Fosso Parte Um - Aquaman frustra um assalto e toma uma importante decisão.


Análise: Aquaman. Um dos mais icônicos heróis da DC (afinal, todo mundo conhece o Aquaman), transformado em piada por anos de utilização estúpida e incontáveis reformulações. A missão assumida por Geoff Johns ao escrever essa revista foi elevar o personagem dentro do novo universo DC.


Para isso, preparou uma primeira edição da revista solo do personagem recheada de piadas e até metalinguagem, dedicando boa parte da história basicamente explicando o que o Aquaman pode fazer, e mostrando que até mesmo os habitantes do universo DC acham o herói um pouco ridículo.


Mas esse trabalho que Johns assumiu não é fácil: o personagem está estigmatizado por décadas de piadas (a maior sendo seu poder de "falar" com peixes, o que Johns consegue explicar e consertar em poucos quadrinhos), mas o início foi bom.


Claro que a arte de Ivan Reis só ajuda. O brasileiro está afiado, com o traço tão bom quanto o mostrado nos trabalhos que fez em Lanterna Verde nos últimos anos.


Agora resta saber se a trama que foi apresentada nessa revista seguirá a altura.


O Selvagem Gavião Negro (Savage Hawkman #1)


Equipe: Tony S. Daniel (roteiro), Philip Tan (arte), Sunny Gho (cores).


Sinopse: Carter Hall, o Gavião Negro, tenta fugir de seu destino.


Análise: Se eu posso falar alguma coisa sobre essa história, é que ela pareceu um retrocesso. Um retrocesso aos quadrinhos dos anos 1990, onde tudo tinha que ser mais violento e ameaçador, mas não no bom sentido.


Os maiores problemas do roteiro são a falta de consistência na verdade. Parece que Tony S. Daniel não sabe que tido de história ele quer escrever, então colocou elementos de mistério, ficção científica e fantasia tudo em um único roteiro, deixando tudo muito confuso, sem foco nos elementos. Seria melhor ter concentrado na parte Selvagem do novo título dado ao personagem e fazer uma história que remeta a Conan logo de uma vez.


A arte de Philip Tan, pelo menos, não é tão inconstante quanto o roteiro. Ele desenhou belos painéis, como o que o metal enésimo envolve Carter nas primeiras páginas da história, e o design do novo uniforme do personagem está interessante. Mas não é só desenho que segura uma história em quadrinhos. Espero que o roteiro melhore nas próximas edições, porque logo o traço da revista passará para as mãos de Rob Liefeld...


OMAC (OMAC #1)


Equipe: Dan Diddio (roteiro), Keith Giffen (roteiro e desenhos), Scott Koblish (arte-final), Hi-Fi (cores).


Sinopse: Gerenciamento de Caos - As Industrias Cadmus sofrem um ataque de um misterioso ser.


Análise: Parece piada, mas essa é uma das revistas dos Novos 52 que eu mais gostei, e já teve seu cancelamento anunciado pela DC. Infelizmente, OMAC terá apenas oito edições, e pode colocar infelizmente nisso.


OMAC é a perfeita homenagem ao criador do personagem, Jack Kirby, tanto no roteiro quanto no traço. Dan Diddio voltou para as origens do personagem, ignorando o projeto OMAC usando na saga Crise Infinita, mantendo os elementos criados por Kirby. E o desenho de Keith Giffen (que também ajudou no roteiro) estão simplesmente maravilhosos, emulando o estilo de Kirby.


Pode parecer apenas nostalgia, e talvez seja em parte... mas que o roteiro dessa edição é um dos melhores que li até agora no reinício do universo DC, isso é, com ação, humor e mistérios na medida certa. Fora que é bom ver que pelo menos alguém não esqueceu as origens dos quadrinhos, e não quer transformá-los em algo forçado e apelativo.


O fato de OMAC ter durado apenas oito meses na grade da nova DC mostra que realmente não se fazem mais na verdade é leitores de quadrinhos como antigamente...


A Fúria de Nuclear (The Fury of Firestorm #1)


Equipe: Ethan Van Sciver & Gail Simone (roteiro), Yildiray Cinar (arte), Steve Buccellato (cores).


Sinopse: Partícula Divina - Uma misteriosa e violenta equipe de mercenários busca um artefato que pode ser bem perigoso...


Análise: A nova revista do Nuclear poderia ter começado muito bem, se não fossem dois elementos presentes na história: uma violência um pouco excessiva (ao meu ver) e uma discussão impressionantemente forçada sobre racismo, colocando o branco Ronnie Raymond batendo de frente com o negro Jason Rusch. Se fosse apenas pelo elemento "esportista contra cientista", o conflito seria melhor. Não era necessário colocar a etnia no meio.


Um ponto que muitas das novas revistas da DC têm em comum é o mistério cercando os personagens. A origem dos novos "Nucleares" (sim, no plural) é mostrada, mas não explicada. Infelizmente o professor Stein é apenas citado na história, e muito ainda terá que ser revelado, mas até agora pareceu mais uma desculpa esfarrapada para tentar agradar a gregos e troianos, mantendo o clássico Nuclear Ronnie e também Jason, o Nuclear moderno.


A arte de Yildiray Cinar não tem nada de mais, nem para mal nem para bem. Desenhos em estilo genérico, assim como a diagramação. Um começo morno para a nova versão do cássico personagem


Senhor Incrível (Mister Terrific #1)


Equipe: Eric Wallace (roteiro), Gianluca Gugliotta (desenhos), Wayne Faucher (arte-final), Mike Atiyeh (cores).


Sinopse: Atualização de Programa - Depois de derrotar um vilão em Londres, o Sr. Incrível analisa um mistério.


Análise: Outra agradável surpresa em Os Novos 52. Roteiro interessante, dinâmico e que, ao contrário de praticamente tudo que foi publicado até agora, contou a origem do personagem, ponto importantíssimo para atrair novos leitores. Uma das melhores revistas que fazem parte do mix desta edição de Universo DC, e outro título que já foi cancelado no número 8 pela DC Comics, devido a baixas vendas, assim como OMAC. Parece que estou gostando apenas de revistas que não atraíram muitos leitores.


Michael Holt, o Senhor Incrível, já era um dos personagens mais interessantes que integravam a Sociedade da Justiça, e aqui continua dessa forma. As suas motivações e inteligência foram bem utilizadas pelo roteiro de Eric Wallace, que presa muito mais a história do que a ação.


Só não é uma revista perfeita porque os desenhos de Gianluca Gugliotta parecem ter sido feitos as pressas, deixando alguns quadros bem estranhos, principalmente em algumas expressões faciais.


Um detalhe que não pode ser passado em branco é a presença da personagem Karen Starr, a identidade secreta da Poderosa, na revista.


Falcões Negros (Blackhawks #1)


Equipe: Mike Costa (roteiro), Graham Nolan & Ken Lashley (arte), Guy Major (cores).


Sinopse: Falcões Negros - Criada pela ONU, o Programa Falcão Negro enfrenta ameaças a segurança mundial.


Análise: Se tivesse que fazer um resumo sobre o que é esse novo Falcões Negros, a melhor maneira que conseguiria descrever é como um Comandos em Ação com hormônios descontrolados.


A ação corre solta quando a equipe, incluindo os agentes Lady Falcão Negro, Irlandês, Átila, Kunoichi e Selvagem, tentam frustrar um ataque terrorista em um aeroporto no Cazaquistão (que se escreve com Z, não com S, revisores da Panini...). A operação que deveria ser secreta é executada com a sutileza de um paquiderme, revelando a equipe.


Essa releitura dos Falcões Negros até tem elementos interessantes (como a equipe ter sido criada pela ONU), mas a história pecou por ser recheada de clichês, seja na quantidade de explosões, seja na trama de fundo envolvendo nanotecnologia, elemento que já está mais do que batido faz tempo.


Os desenhos da edição, feitos a quatro mãos por Graham Nolan e Ken Lashley, parecem esquizofrênicos. Uma hora os rostos estão com traços demais, em um desenho bem sujo; em outra eles estão tão pouco detalhados que nem traços definidos eles têm.


Falcões Negros é o terceiro título presente nesta nova primeira edição Universo DC que foi cancelada após oito revistas nos EUA. Pelo menos essa parece ter sido com razão.


Mulher-Maravilha (Wonder Woman #1)


Equipe: Brian Azzarello (roteiro), Cliff Chiang (arte), Matthew Wilson (cores).


Sinopse: A Visitação - Uma mulher sofre um ataque de proporções mitológicas, e precisa da ajuda da Mulher-Maravilha.


Análise: Brian Azzarello entendeu uma coisa em relação a Mulher-Maravilha: a personagem praticamente exige que suas histórias tenham uma ligação com mitologia grega. Diana de Themyscira nasceu da mitologia e tem que viver na mitologia, é praticamente um princípio básico dela.


o roteiro é bem trabalhado para apresentar elementos místicos nos tempos modernos, e a arte de Cliff Chiang só ajudou. O traço é simples, sem elementos em excesso, e muito dinâmico quando mostra as cenas de ação.


A mudança no uniforme da Mulher-Maravilha foi para a melhor, mas seria mais lógico que tivessem mantido as calças que Diana estava usando até mesmo antes do reinício do universo DC.


A história mal começou, mas foi encaminhada com o pé direito, algo que a Mulher-Maravilha merecia.


Vamos a um balanço deste primeiro número de Universo DC: duas séries novas muito interessantes, mas que infelizmente já foram canceladas nos EUA (OMAC e Senhor Incrível), duas revistas que reapresentam ícones da editora de maneira bem eficiente (Aquaman e Mulher-Maravilha), e três títulos que não se mostraram grande coisa (O Selvagem Gavião Negro, A Fúria de Nuclear e Falcões Negros). No final mais acertos do que erros, mas foi por pouco.


E essa foi mais uma parte da análise dos Novos 52 da DC publicados pela Panini, cobrindo mais 7 novos títulos. Faltam 33 para o final.



1 comentário:

carlos gustavo

não gostei da história do nuclear que se tornou a fúria, não tem jeito de mudar a história para fazer o nuclear como era antes em herói?


10 de Julho de 2012



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